O franchising brasileiro cresce em ritmo de dois dígitos em 2026 e mira o interior de São Paulo. Entenda o que essa expansão significa para negócios independentes do Alto Tietê.
Um post anterior desta série mostrou que o Alto Tietê ganhou 21 mil novos pequenos negócios nos cinco primeiros meses de 2025. Isso é 37% a mais do que no mesmo período de 2024. Esse crescimento não passou despercebido só pelos empreendedores locais. Redes de franquia de fora da região também identificaram a mesma oportunidade. Os números de 2026 mostram que essa disputa está só começando.
O franchising brasileiro está crescendo acima da economia
Segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor faturou R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026. Isso representa alta de 9,7% frente ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre isolado, o crescimento foi de 9,3%, com faturamento de R$ 76,3 bilhões. Esse desempenho aconteceu mesmo num cenário que a própria ABF descreve como marcado por juros elevados, inflação pressionada e crédito restrito para as famílias. O setor encerrou o período com 207,2 mil operações em funcionamento, 6.652 unidades a mais do que no mesmo trimestre de 2025, e quase 1,8 milhão de empregos diretos. Para o restante de 2026, a entidade projeta continuidade do crescimento, entre 8% e 10% no faturamento anual.
O presidente da ABF, Tom Moreira Leite, resume o motivo estrutural desse desempenho. O franchising está presente em praticamente toda a jornada de consumo do brasileiro, dos itens de primeira necessidade a serviços recorrentes. Isso dá ao modelo uma resiliência maior do que a de negócios dependentes de um único nicho de consumo discricionário.
A prova concreta de que isso já chegou ao Alto Tietê
Esse movimento não é uma tendência distante para a região. O Suzano Shopping é um dos principais polos de varejo do Alto Tietê. Ele fechou 2025 com crescimento de 7,1% em vendas e a chegada de 28 novas marcas. Entre elas estão nomes de peso nacional, como a Ri Happy, maior rede de brinquedos do Brasil. Também chegou a Riachuelo, que escolheu o empreendimento para abrir sua primeira loja na cidade de Suzano. O shopping opera hoje com taxa de ocupação de 99% e média de 600 mil visitantes por mês. Ele chega à maior feira de franquias do mundo, a ABF Franchising Expo, anunciando ainda a chegada da joalheria Vivara.
Historicamente, Mogi das Cruzes também aparece de forma recorrente nos planos de expansão de redes nacionais de franquia, de moda infantil a calçados e alimentação. A cidade costuma figurar como uma das prioridades do interior paulista, ao lado de praças como Ribeirão Preto, Sorocaba e Jundiaí. A leitura é direta: o Alto Tietê deixou de ser considerado uma extensão dormitório da capital. Passou a ser mapeado, por redes de franquia com estrutura de expansão nacional, como mercado consumidor relevante o suficiente para justificar investimento.
O que essa chegada muda para o negócio independente da região
Redes de franquia bem financiadas e com marca já reconhecida nacionalmente estão entrando no mesmo raio de disputa de um negócio local independente. Isso muda o jogo competitivo de duas formas concretas. A primeira é de visibilidade. Uma marca nacional chega com orçamento de marketing e reconhecimento que um negócio local levaria anos para construir, disputando a mesma atenção do consumidor da região. A segunda é de expectativa de experiência. O consumidor que passa a frequentar uma loja de rede padronizada tende a elevar a régua de expectativa: atendimento, ambiente, consistência. Essa régua mais alta vale também para os negócios independentes que ele frequenta, mesmo que o orçamento deles seja uma fração do orçamento da rede.
Isso não significa que o negócio independente perde a disputa por definição. Redes de franquia competem em padronização e escala. Já um negócio local competitivo compete em outro terreno. Ele tem conhecimento real da comunidade e relação direta e pessoal com o cliente recorrente. Além disso, consegue ajustar oferta e comunicação muito mais rápido do que qualquer rede nacional consegue replicar numa unidade padronizada. Existe uma diferença entre o negócio local que sente esse avanço como ameaça e o que o usa a favor. Essa diferença costuma estar numa coisa só. Quem investiu antes, numa marca e numa comunicação que deixem claro por que vale a pena escolher o negócio local, sai na frente. Quem só espera o cliente aceitar essa escolha como óbvia, não.
O que muda na prática
O Alto Tietê está gerando mais pequenos negócios locais em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, virou destino de expansão prioritário para redes de franquia nacionais bem-capitalizadas. As duas forças não se cancelam. Elas competem pela mesma atenção do mesmo consumidor regional. Para o negócio independente da região, a pergunta relevante não é mais se a concorrência de fora vai chegar. Os números de 2026 já mostram que ela chegou. A pergunta é outra. O posicionamento de marca e a comunicação desse negócio já estão prontos para sustentar a preferência do cliente? Isso vale sobretudo para quando essa concorrência estiver, literalmente, na loja ao lado.
Fontes
- Central do Varejo / ABF: Franquias crescem 9,3% no 2º trimestre e faturam R$ 76,3 bilhões
- TrendsCE / ABF: Franquias movimentam R$ 149 bi no primeiro semestre de 2026
- ABF: Mercado de franquias supera os R$ 300 bilhões em 2025 e impulsiona o crescimento da economia brasileira
- Jornal Sete: Suzano Shopping mostra potencial na maior feira de franquias do mundo e anuncia chegada da Vivara
- Post anterior desta série: “Alto Tietê em números”, dados Condemat/Sebrae-SP sobre abertura de novos pequenos negócios na região


